Gestão de Implementação de Sistemas
Habilidades de condução, levantamento e gestão aplicáveis a qualquer implementação de sistema — do zero, sem enrolação.
Falar com AndersonVisão geral do curso
Objetivo geral: desenvolver as habilidades de gestão necessárias para conduzir implementações de sistemas de forma independente da plataforma.
Levantamento de Requisitos
Separar requisito real de desejo e sintoma.
Condução de Reuniões
Transformar reunião em decisão, não em mais reunião.
Mapeamento de Processo
Visualizar o antes e depois sem depender de texto longo.
Controle de Escopo
Evitar que o projeto nunca feche por pedidos extras.
Gestão de Mudança
Lidar com a resistência que trava mais que a tecnologia.
Reporte Estruturado
Virar a pessoa fácil de confiar informação.
Sequência: Módulo 1 → 2 → 3 → 4 → 5 → 6 — segue a ordem natural de um projeto de implementação, do levantamento até o acompanhamento.
Levantamento de Requisitos
Objetivo: sair de uma reunião com o que o cliente precisa, não só com o que ele pediu.
1. Por que esse módulo vem primeiro
Todo o resto do curso depende disso. Se o levantamento sai errado, você mapeia processo errado, o consultor implementa a coisa errada, e o cliente resiste a uma mudança que nem resolve o problema dele. A maior parte do retrabalho em projeto de implementação nasce aqui, não na etapa técnica.
2. Requisito, desejo e sintoma — a distinção que muda tudo
Cliente raramente descreve o problema. Ele descreve a dor, ou pior, já chega com a solução pronta na cabeça. Seu trabalho é separar três camadas:
- Sintoma — o que o cliente sente ou reclama. Ex: “a gente perde muito tempo procurando informação de cliente”.
- Desejo — a solução que ele já imaginou. Ex: “eu preciso de um sistema com busca rápida”.
- Requisito real — o que de fato resolve a causa. Ex: os dados do cliente estão espalhados em 3 lugares diferentes e ninguém sabe qual é a versão atualizada — o problema não é “busca lenta”, é falta de fonte única de verdade.
Regra prática: toda vez que o cliente te der uma solução pronta, pergunte o problema por trás. A solução é hipótese dele. O problema é fato. Você trabalha com fato.
3. Técnicas de entrevista
3.1 Pergunta aberta vs. fechada
Fechada, evitar no início: “Vocês usam WhatsApp para atender cliente?” — só confirma o que você já supõe.
Aberta, usar primeiro: “Como funciona hoje o atendimento a um cliente novo, do primeiro contato até o fechamento?” — deixa o cliente revelar o processo real, com detalhes que você nem sabia perguntar.
Comece sempre aberto. Feche o cerco com perguntas fechadas só depois, para confirmar detalhes específicos.
3.2 Técnica dos 5 porquês
Pergunte “por quê” repetidamente até chegar na causa raiz — geralmente leva 3 a 5 rodadas.
Exemplo
“Perdemos cliente por demora no atendimento.” → Por quê?
“Porque a equipe demora pra responder no WhatsApp.” → Por quê?
“Porque tem muita pergunta repetida que consome o tempo do time.” → Por quê?
“Porque não tem lugar centralizado pra consultar status do processo.” → Aqui está o requisito real: fonte única de consulta de status, não “responder mais rápido”.
Pare quando a resposta virar algo que você consegue transformar em requisito técnico ou de processo — não precisa forçar até um “porquê filosófico”.
3.3 Perguntas-âncora para toda reunião de levantamento
- Como isso é feito hoje, passo a passo?
- O que acontece quando dá errado?
- Quem mais participa desse processo além de você?
- Se isso não mudasse nunca, o que continuaria doendo daqui a 6 meses?
- Existe algo que vocês tentaram resolver antes e não deu certo? Por quê?
4. Priorização de requisitos
Nem tudo que sai da reunião tem o mesmo peso. Classifique em três níveis:
| Nível | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
| Essencial | Sem isso o projeto não resolve o problema original | Fonte única de dados de cliente |
| Importante | Melhora bastante, mas o projeto funciona sem | Relatório automático semanal |
| Desejável | “Seria bom ter” — não é o motivo do projeto | Tema escuro no sistema |
Isso evita duas armadilhas: prometer tudo (e nunca entregar) ou tratar um “seria bom ter” como se fosse bloqueante.
5. Documentar de forma que o consultor consiga agir
Reporte de levantamento ruim é aquele que obriga o consultor a te chamar de novo pra entender o que você quis dizer. O bom documento responde, para cada requisito:
- O que é (em uma frase, sem jargão)
- Por que é necessário (o problema/causa raiz, não o sintoma)
- Quem pediu / quem é afetado
- Nível de prioridade (essencial / importante / desejável)
- Alguma restrição conhecida (prazo, orçamento, sistema legado que precisa continuar funcionando)
Modelo pronto — Documento de Requisitos Levantados
CLIENTE: [nome] DATA DA REUNIÃO: [data] PARTICIPANTES: [nomes/cargos] REQUISITO 1 O que é: Problema/causa raiz por trás: Quem pediu / quem é afetado: Prioridade: [Essencial / Importante / Desejável] Restrições conhecidas: REQUISITO 2 [repetir estrutura] OBSERVAÇÕES GERAIS DA REUNIÃO: [qualquer contexto relevante que não virou requisito, mas ajuda a entender o cenário]
Exercício prático
Aplique em um caso real (um dos clientes do consultor, ou um caso hipotético seu):
- Escolha uma reunião de levantamento (passada ou futura).
- Liste 3 a 5 falas do cliente que pareciam “requisito” mas na verdade eram desejo ou sintoma.
- Para cada uma, aplique a técnica dos 5 porquês até achar a causa raiz.
- Preencha o modelo de documento acima com os requisitos reais identificados.
- Classifique cada um em essencial / importante / desejável.
Próximo módulo: 02 — Condução de Reuniões, em breve.