Curso personalizado

Curso Gratuito · Nível Básico

Gestão de Implementação de Sistemas

Habilidades de condução, levantamento e gestão aplicáveis a qualquer implementação de sistema — do zero, sem enrolação.

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Ementa

Visão geral do curso

Objetivo geral: desenvolver as habilidades de gestão necessárias para conduzir implementações de sistemas de forma independente da plataforma.

01

Levantamento de Requisitos

Separar requisito real de desejo e sintoma.

02

Condução de Reuniões

Transformar reunião em decisão, não em mais reunião.

03

Mapeamento de Processo

Visualizar o antes e depois sem depender de texto longo.

04

Controle de Escopo

Evitar que o projeto nunca feche por pedidos extras.

05

Gestão de Mudança

Lidar com a resistência que trava mais que a tecnologia.

06

Reporte Estruturado

Virar a pessoa fácil de confiar informação.

Sequência: Módulo 1 → 2 → 3 → 4 → 5 → 6 — segue a ordem natural de um projeto de implementação, do levantamento até o acompanhamento.

Módulo 01

Levantamento de Requisitos

Objetivo: sair de uma reunião com o que o cliente precisa, não só com o que ele pediu.

1. Por que esse módulo vem primeiro

Todo o resto do curso depende disso. Se o levantamento sai errado, você mapeia processo errado, o consultor implementa a coisa errada, e o cliente resiste a uma mudança que nem resolve o problema dele. A maior parte do retrabalho em projeto de implementação nasce aqui, não na etapa técnica.

2. Requisito, desejo e sintoma — a distinção que muda tudo

Cliente raramente descreve o problema. Ele descreve a dor, ou pior, já chega com a solução pronta na cabeça. Seu trabalho é separar três camadas:

  • Sintoma — o que o cliente sente ou reclama. Ex: “a gente perde muito tempo procurando informação de cliente”.
  • Desejo — a solução que ele já imaginou. Ex: “eu preciso de um sistema com busca rápida”.
  • Requisito real — o que de fato resolve a causa. Ex: os dados do cliente estão espalhados em 3 lugares diferentes e ninguém sabe qual é a versão atualizada — o problema não é “busca lenta”, é falta de fonte única de verdade.
Regra prática: toda vez que o cliente te der uma solução pronta, pergunte o problema por trás. A solução é hipótese dele. O problema é fato. Você trabalha com fato.

3. Técnicas de entrevista

3.1 Pergunta aberta vs. fechada

Fechada, evitar no início: “Vocês usam WhatsApp para atender cliente?” — só confirma o que você já supõe.
Aberta, usar primeiro: “Como funciona hoje o atendimento a um cliente novo, do primeiro contato até o fechamento?” — deixa o cliente revelar o processo real, com detalhes que você nem sabia perguntar.

Comece sempre aberto. Feche o cerco com perguntas fechadas só depois, para confirmar detalhes específicos.

3.2 Técnica dos 5 porquês

Pergunte “por quê” repetidamente até chegar na causa raiz — geralmente leva 3 a 5 rodadas.

Exemplo

“Perdemos cliente por demora no atendimento.” → Por quê?
“Porque a equipe demora pra responder no WhatsApp.” → Por quê?
“Porque tem muita pergunta repetida que consome o tempo do time.” → Por quê?
“Porque não tem lugar centralizado pra consultar status do processo.” → Aqui está o requisito real: fonte única de consulta de status, não “responder mais rápido”.

Pare quando a resposta virar algo que você consegue transformar em requisito técnico ou de processo — não precisa forçar até um “porquê filosófico”.

3.3 Perguntas-âncora para toda reunião de levantamento

  • Como isso é feito hoje, passo a passo?
  • O que acontece quando dá errado?
  • Quem mais participa desse processo além de você?
  • Se isso não mudasse nunca, o que continuaria doendo daqui a 6 meses?
  • Existe algo que vocês tentaram resolver antes e não deu certo? Por quê?

4. Priorização de requisitos

Nem tudo que sai da reunião tem o mesmo peso. Classifique em três níveis:

NívelDefiniçãoExemplo
EssencialSem isso o projeto não resolve o problema originalFonte única de dados de cliente
ImportanteMelhora bastante, mas o projeto funciona semRelatório automático semanal
Desejável“Seria bom ter” — não é o motivo do projetoTema escuro no sistema

Isso evita duas armadilhas: prometer tudo (e nunca entregar) ou tratar um “seria bom ter” como se fosse bloqueante.

5. Documentar de forma que o consultor consiga agir

Reporte de levantamento ruim é aquele que obriga o consultor a te chamar de novo pra entender o que você quis dizer. O bom documento responde, para cada requisito:

  1. O que é (em uma frase, sem jargão)
  2. Por que é necessário (o problema/causa raiz, não o sintoma)
  3. Quem pediu / quem é afetado
  4. Nível de prioridade (essencial / importante / desejável)
  5. Alguma restrição conhecida (prazo, orçamento, sistema legado que precisa continuar funcionando)

Modelo pronto — Documento de Requisitos Levantados

CLIENTE: [nome]
DATA DA REUNIÃO: [data]
PARTICIPANTES: [nomes/cargos]

REQUISITO 1
O que é: 
Problema/causa raiz por trás: 
Quem pediu / quem é afetado: 
Prioridade: [Essencial / Importante / Desejável]
Restrições conhecidas: 

REQUISITO 2
[repetir estrutura]

OBSERVAÇÕES GERAIS DA REUNIÃO:
[qualquer contexto relevante que não virou requisito, mas ajuda a entender o cenário]

Exercício prático

Aplique em um caso real (um dos clientes do consultor, ou um caso hipotético seu):

  1. Escolha uma reunião de levantamento (passada ou futura).
  2. Liste 3 a 5 falas do cliente que pareciam “requisito” mas na verdade eram desejo ou sintoma.
  3. Para cada uma, aplique a técnica dos 5 porquês até achar a causa raiz.
  4. Preencha o modelo de documento acima com os requisitos reais identificados.
  5. Classifique cada um em essencial / importante / desejável.

Próximo módulo: 02 — Condução de Reuniões, em breve.